Ichu: Realizada palestra sobre o Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Com o objetivo de findundir para as pessoas a importância do Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, aconteceu nesta sexta-feira, 18, no Barracão Municipal uma palestra ministrada pelo Antropólogo e Pós Graduado em Gestão de Pessoas Márcio Mascarenhas.

O evento fez parte da semana de atividades voltadas para este tema, promovido pelo Conselho Tutelar, CRAS e a estagiária de Serviço Social Jussara Carneiro.

A Assistente Social do CRAS, Marcia Porto, iniciou parabenizando aos organizadores, destacando a necessidade de trabalhar sempre assuntos de tamanha relevância para a sociedade.

Jussara Carneiro falou do curso de Serviço Social  que está fazendo, do período de estágio e da programação realizada durante esta semana. A graduanda  fez uma esplanação sobre os artigos 4, 5 e 245 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Integrantes do Terço das Crianças, fizeram uma peça teatral sobre as mudanças de comportamento de uma filha que vinha sendo abusada pelo pai. Eles mostraram como proceder diante de determinadas suspeitas e a denúncia perante o Conselho Tutelar.

A Conselheira Tutelar Silvaneide da Silva, explicou a origem e o motivo da definição do  Dia 18 de Maio como data representativa para o Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. 

Silvaneide relatou que no dia 18 de maio de 1973, em Vitória-ES, a menina Araceli Santos foi seqüestrada, espancada, estuprada, drogada e assassinada numa orgia de drogas e sexo. Seu corpo, que apareceu seis dias depois, foi desfigurado por ácido. Os agressores de Araceli ficaram impunes. Este fato divulgado pela mídia chocou toda a nação, ficando conhecido como “Caso Araceli”.

A PALESTRA

Seguindo, Marcio Mascarenhas começou a palestra retratando diversas situações que devem ser consideradas no que diz respeito a esse público que é alvo de várias agressões não só física, como psicológica e outras.

O palestrante alertou que as violências fazem parte, cada vez mais, do cotidiano da sociedade contemporânea. Não se trata de uma questão policial, apenas, mas social e política.

As violências têm perspectivas históricas e culturais e são multifacetadas e polimórficas. Envolvem distintas classes sociais, faixas etárias e sexos.

Segundo Márcio, especificamente, as violências contra crianças e adolescentes (CA) podem ser caracterizadas a partir de alguns aspectos gerais: autoritarismo, repressão e paternalismo. A história da infância é um pesadelo que só recentemente começou a despertar!

Quanto maior a cultura de dominação e de discriminação social, econômica, de gênero e de raça tanto maiores as violências.

No caso da violência sexual contra CA somam-se aspectos histórico-culturais, jurídico-legais, político-sociais e econômicos, como: medo, falta de credibilidade no sistema legal, visão de CA como incapaz, castigo físico como disciplina, família como objeto privado, etc.

Na verdade é o ECA (Lei 8069 de 1990) que introduz mudanças estruturais e uma nova cultura de direitos e busca tipificar e punir maus-tratos, negligência, abuso e exploração sexual.

A violência contra CA ocorre, em sua maioria, no chamado ambiente doméstico. São quatro tipos básicos de violência doméstica: violência física (ato executado com intenção de causar dor ou desconforto à criança); violência psicológica (abrange rejeição, depreciação, desrespeito, discriminação, cobranças exageradas, etc. que influenciam negativamente a auto-estima, etc.); negligência (omissão em termos de cuidados básicos pelos responsáveis); e violência sexual.

Marício esclareceu que a maioria dos atos de violência ocorre: a) na família ou ambiente doméstico; b) com os primogênitos; c) com as meninas; d) entre 10 e 12 anos em primeiro lugar e de 6 a 10 anos em segundo lugar; e) pais e padrastos em primeiro lugar como agressores; f) pais contra crianças e padrastos contra adolescentes, na maioria. Estima-se que apenas 10 a 15% dos casos cheguem às Delegacias!!!

Observando atentamente, educadores, pais, crianças e adolescentes presentes viram o palestrante mostrar algumas conseqüências da violência sexual: alto nível de ansiedade; tristeza; agressividade; instabilidade emocional; exacerbação da sexualidade; isolamento social; regressão no desenvolvimento escolar; drogadição; distúrbios do sono/alimentação; aversão ao próprio corpo; DST/AIDS; relutância em voltar pra casa, etc.

Para Márcio Mascarenhas o melhor local para se observar esses possíveis sintomas e atuar na prevenção, intervenção e enfrentamento é a ESCOLA. Em 44% dos casos de abuso sexual o professor era o primeiro a saber!

Conhecedor do assunto Mascarenhas disse que era preciso investir numa cultura de proteção e respeito aos direitos humanos de CA;  investir em formas de enfrentar e erradicar a cultura de dominação (gênero, raça, etnia, orientação sexual, classe, geração);  fortalecer o ECA e o SGD, em especial os Conselhos Tutelares; fortalecer e capacitar a Escola (funcionários, professores, diretores, etc); trabalhar informações junto à sociedade e às famílias; influenciar e fiscalizar políticas públicas;  conceber e tratar CA como sujeitos de direitos e parte da solução; assumir que somos, todos e todas, responsáveis e vítimas!

Finalizando ele agradeceu pelo convite, parabenizou os organizadores e alertou que no município é necessário ter um Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e um Conselho Tutelar atuantes e aquelas pessoas que se compremeteram a fazer parte do Conselho podem ser punidos caso não estejam cumprindo verdadeiramente o seu papel.

O Secretário de Assistência Social, Osvaldo Junior, ficou satisfeito com a atividade, afirmando que muitas dúvidas foram dirimidas.

Juninho de Professora Dalva como é conhecido o Secretário, fez uma breve reflexão sobre a palestra, parabenizou Marcio Mascarenhas e todos os envolvidos na atividade.

Por: André Luiz – AL Notícias

This entry was posted in Ichu, Social and tagged , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>